sexta-feira, 27 de novembro de 2009

DIÁRIO DE BORDO 8 - Assembléia Geral dos Municípios


REPÚBLICA DOMINICANA - A convite da Federação Dominicana de Municípios
(FEDOMU), a Prefeitura de Manaus participou da VIII Assembléia Geral
Ordinária dos Municípios, em Santo Domingo, capital da República Dominica,
entre os dias 23 e 24 últimos, com o tema: Por Municípios mais Planejados,
Ordenados e Autônomos. O Prefeito Amazonino Mendes, que estava
trabalhando em sua defesa vitoriosa no TRE do Amazonas, foi representado
pelo Secretário de Meio Ambiente de Manaus, Marcelo Dutra. O secretário
falou logo na abertura da importância da parceria construída entre a
cidade de Manaus e a FEDOMU. Marcelo Dutra destacou que quando a Cúpula
Amazônica de Governos Locais foi convocada na CGLU, em Copenhague, a
federação da República Dominicana foi uma das primeiras organizações
municipalistas que, mesmo não sendo parte do bioma amazônico, emprestou
apoio e esforços para a realização do evento, que ocorreu entre os dias 7
e 10 de outubro em Manaus.
Durante o evento realizado em Santo Domingo, foi inaugurada a sede
definitiva da FEDOMU, onde os municípios demonstraram avanços
significativos na gestão pública municipal, montando uma “Loja” do
cidadão, onde prefeitos (aqui chamados de Síndicos), vereadores (aqui
chamados de Reguladores) e o povo podem ter acesso direto a qualquer tipo
de informação de qualquer um dos municípios afiliados. Outra novidade foi
a inauguração de um espaço onde vai funcionar uma espécie de cooperativa
de municípios, onde serão feitos bancos de preços e até compras e
contratação em bloco, gerando ações coordenadas entre os municípios,
economizando recursos públicos.


Mais informações:

Assessoria de Comunicação
Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas)
Prefeitura Municipal de Manaus (PMM)
Contatos : (92) 3642-1030/1010 Ramal 116
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DIÁRIO DE BORDO 7 - Fórum Ibero-Americano de Governos Locais

Portugal - Estivemos em Portugal na semana passada (entre 17 e 21), onde
participamos do IV Fórum Ibero-Americano de Governos Locais. De acordo com
a coordenação do evento, estiveram presentes cerca de 129 municípios de 22
países dos dois lados do Atlântico. O fórum é um evento prévio da Cimeira
Ibero-Americana, que vai reunir os presidentes dos países de língua
espanhola e portuguesa, na cidade de Estoril, também em Portugal.
O evento teve dezenas de expositores municipalistas divididos em 4
painéis, que trataram de temas como inovação, crise econômica, cultura e
meio ambiente.
Entre os painelistas, o ex-Presidente de Portugal, Jorge Sampaio destacou
que, hoje, como ex-Presidente de um pais tão tradicional como Portugal e
que teve a honra que dirigir a Comunidade Econômica Européia, resta a
certeza de que para que as decisões tomadas a nível global sejam
efetivadas na vida dos cidadãos, é necessário que se valorize e inclua os
governos locais. “Por sua vez, é preciso reconhecer: nunca se viu os
Governo Locais tão ativos na luta por melhores espaços políticos
internacionais. Mas é preciso ir mais longe, ser mais ousados, ocupar mais
posição nos debates”, afirmou o ex-Presidente portugues.
Sampaio ressaltou ainda que na COP-15, os Governos Locais tem como
primeira missão incluir as cidades nos textos que serão aprovados ou
indicados em Copenhague.
Na COP-15 a CGLU vai atuar estrategicamente com um pequeno grupo de
prefeitos, entre eles o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, que tem como
missão representar as cidades de todo o planeta, onde moram mais da metade
de todos os habitantes da terra.

Durante os debates, que contaram com a participação de autoridades locais
como Antonio Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (Portugal);
Ricardo Ehrlich, Intendente de Montevidéu (Uruguai) e co-Presidente da
União de Cidades Capitais – UCCI; Alberto Ruiz-Gallardón, Alcalde de
Madrid (Espanha); Juan Del Granado, Alcalde de La Paz (Bolívia); Clara
Garcia, eleita Alcalde de Rosário (Argentina); Paulo Zalaquett, Alcalde de
Santiago do Chile; Maria Rosa Ferrer, Alcaldesa de Andorra La Vella
(Andorra); Jordi Herev, Alcalde de Barcelona (Espanha); Sebastião Almeida,
Prefeito de Guarulhos (Brasil); alem de outros prefeitos e alcaldes de
diversos países como Peru, Paraguai, Equador, Venezuela, El Salvador,
Honduras e República Dominicana.
Entre os parlamentares de câmaras municipais, teve destaque a apresentação
feita pelo Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, de Portugal, João
Carlos Pais de Moura, que apresentou o Projeto Biocant, onde o município
de Cantanhede montou um centro de pesquisa e desenvolvimento em
Biotecnologia, onde o município oferece laboratórios, centro de estudos,
alojamentos, bolsas e ainda financia o registro dos trabalhos realizados
no centro e financia a abertura de novas empresas dentro do centro de
pesquisas. Alem da divisão das tecnologias desenvolvidas, voltadas
principalmente para as áreas de saúde e segurança alimentar, o município
ainda fica com parte das empresas abertas pelos estudantes. O vereador
afirmou que esse projeto tem 100% de chances de dar certo na Amazônia,
onde a oferta de informações da biodiversidade é gigantescamente maior que
as da Europa, e firmou um acordo com o Secretário de Meio Ambiente e
Sustentabilidade de Manaus, Marcelo Dutra, para desenvolver uma parceria
no inicio de 2010 com vistas a construir um projeto semelhante em Manaus.

Ao final foi aprovada uma Declaração de Governos Locais e uma Carta de
Autonomia Municipal, que defende, entre outras coisas, o aumento da
participação dos Governos Locais nas decisões colegiadas entre os Governos
Nacionais, a criação e implementação de fundos para financiar o
desenvolvimento local e a abertura de mais espaços nos grupos de
negociações de políticas internacionais da ONU, a exemplo do que estão
fazendo na CGLU com os prefeitos que vão participar das negociações de
mudanças climáticas.



Mais informações:

Assessoria de Comunicação
Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas)
Prefeitura Municipal de Manaus (PMM)
Contatos : (92) 3642-1030/1010 Ramal 116
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Amazonino eleito vice-presidente de entidade internacional de governos locais

Depois de ser indicado pela organização Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU) para representar os prefeitos da América Latina e Caribe, na delegação de governos locais da COP 15, Amazonino Mendes comemora mais uma conquista. Foi eleito na noite da última quarta-feira (25) um dos seis vice-presidentes da Federação Latino-Americana de Cidades Municípios e Associações de Governos Locais (Flacma), entidade que reúne cidades, municípios, associações nacionais de governos locais e instituições municipalistas de toda a América Latina. Brasil e México concorrem a uma vaga, cada um, nas eleições da entidade que acontecem a cada dois anos. Este ano, concorriam pelo Brasil as cidades de Manaus e Fortaleza, cabendo ao secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Dutra, defender a candidatura do prefeito. A eleição aconteceu na cidade de Santo Domingo, na República Dominicana.

De acordo com Marcelo Dutra, a eleição do prefeito sedimenta o processo participativo da cidade de Manaus em fóruns internacionais e sobretudo no campo da governança local e desta com a pauta de temas mundiais a exemplo das mudanças climáticas. Com sede em Quito, no Equador, a Flacma foi fundada em 17 de novembro de 1981 com a finalidade de aprofundar a descentralização dos seus associados nos países, contribuir com a melhoria do nível de eficiência, eficácia e transparência dos governos locais na base dos princípios democráticos e de igualdade social, facilitar o intercâmbio de experiências entre os governos locais, as associações de municipalidades e as instituições municipalistas latino-americanas e promover a integração.

“A Flacma tem um papel fundamental junto aos organismos da comunidade internacional tendo em vista que é a principal instituição congregadora de governos locais da América Latina”, afirma o assessor de Relações Internacionais da Semmas, Luis Carlos Mestrinho. A assembléia da Flacma para a escolha da diretoria ocorre a cada dois anos.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mais uma vitória

Depois de ser indicado pela organização Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU) para representar os prefeitos da América Latina e Caribe, na COP 15, Amazonino Mendes comemora mais uma conquista. Foi eleito na noite da última quarta-feira (25) um dos seis vice-presidentes da Federação Latino-Americana de Cidades Municípios e Associações de Governos Locais (Flacma), entidade que reúne cidades, municípios, associações nacionais de governos locais e instituições municipalistas de toda a América Latina. Brasil e México concorrem a uma vaga, cada um, nas eleições da entidade que acontecem a cada dois anos. Este ano, concorriam pelo Brasil as cidades de Manaus e Fortaleza, cabendo ao secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Dutra, defender a candidatura do prefeito. A eleição aconteceu na cidade de Santo Domingo, na República Dominicana.
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

ENTREVISTA: Marcelo Dutra, Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Manaus



Colocar Manaus e a Amazônia no centro das discussões sobre meio ambiente e mudanças climáticas é o grande desafio da participação da Prefeitura da capital do estado do Amazonas na reunião de Copenhague. Para o atuante secretário de meio ambiente, o objetivo de colocar os governos locais no centro das atenções mundiais vem sendo perseguido em inúmeros encontros nacionais e internacionais dos quais, segundo ele, estão sendo colocados argumentos incontestáveis, entre eles, o fato de que as pessoas que residem nas cidades amazônicas precisam ter vez e voz em qualquer decisão e também que o bioma amazônico ultrapassa fronteiras e precisa ser pensado como um todo.

Acompanhe abaixo a entrevista exclusiva concedida aos jornalistas Dal Marcondes e Reinaldo Canto, da Envolverde:

Envolverde – Quais as expectativas e objetivos que estão sendo levados para a COP-15?

Marcelo Dutra - Manaus está fazendo um trabalho além da COP-15. A cidade está assumindo a responsabilidade de ser a maior cidde do bioma Amazônia, localizado mais ao centro do bioma e, portanto, a capital natural da Amazônia.
Manaus precisa se inserir nos debates com esta bandeira que é na cidade que a vida acontece é no município que se aplicam as políticas públicas e as decisões de governo. O Protocolo de Kyoto é um instrumento de decisões de governos nacionais que muito pouco chegou ao cidadão, que não foi debatido. Foi um instrumento que ficou distante do cidadão. Porque uma decisão de governo a nível nacional, ela vira lei, ela vira regra e causa um impacto noticioso, mas ela não chega ao trabalho, ela não chega a escola, enfim não chega na vida de cada um.
O envolvimento do governo local, dos municípios, é a bandeira maior que Manaus defende.

Envolverde – Como será a participação de Manaus na Conferência em Copenhague?

Dutra - Nós temos a participação na COP-15 através de um grupo de prefeitos que a partir dessa decisão de se trabalhar no âmbito dos governos locais foram reunidos na CGLU para participar das negociações.

Envolverde - Como se chegou a essa etapa em que Manaus assumiu a posição de representar os países da América Latina e Caribe?

Dutra - Vamos começar lá do comecinho como diz o caboclo. Em março deste ano, estávamos discutindo com o ministro Luis Figueiredo, que é o ministro-chefe da delegação negociadora brasileira. E perguntamos ao ministro por que a Amazônia não havia sido incluída nas discussões do Protocolo de Kyoto. Ele nos apresentou argumentações que não nos convenceram e depois perguntamos por que a Amazônia está fora da atual proposta. Ele colocou alguns pontos, primeiro que a Amazônia não poderia estar nas negociações, porque a Amazônia seria um passivo. O argumento frágil do ministro era de que a Amazônia tem os seus milhões de toneladas de carbono já neutralizadas e se um cidadão de um país desenvolvido comprar um crédito desse carbono já neutralizado, ele estaria se creditando a lançar outra tonelada de carbono. Então, o peso da Amazônia resultaria no mesmo peso em emissões. Considero esse um argumento furado, porque a matemática ensina milhares de caminhos além do crédito. Existe o do débito, tem o do passivo mesmo.
Depois disso a discussão se aprofundou. Por exemplo, nenhuma capital nacional está localizada no bioma amazônico. A do Brasil é no Planalto Central, a da Bolívia é no Pantanal boliviano e as outras são a beira-mar. Segundo ponto, o Brasil tem 64% da Amazônia. Se o país não cuida da sua região dentro de uma proposta internacional, os outros países do bioma se sentem pequenos. É como um irmão mais velho da família, se ele não cuida da família, não serão os menores que irão cuidar, então isso significava que os outros oito países não tinham proposta para a Amazônia.
Portanto, a partir dessa realidade, fomos a CGLU (Cidades e Governos Locais Unidos) pedir o apoio para realizar uma cúpula de prefeitos do bioma Amazônia, fizemos a Cúpula de Manaus e, constatamos que a Amazônia, até então, não se conhecia. Um exemplo claro disso é o do Peru. Os peruanos nos informaram que estão liberando garimpo com mercúrio. Eles têm soberania para isso, mas a questão é que nos demos conta de que a Amazônia é uma casa só, que as fronteiras políticas não são respeitadas pelo meio ambiente e, portanto, esse mercúrio vai acabar por contaminar também os rios da Amazônia brasileira. Então, ficou clara a necessidade de nos entendermos, nos entrosar e discutir os nossos rumos. Dissemos para o representante da CGLU: “A Amazônia agora está falando por si própria está pedindo para ser consultada na decisão nacional de cada um dos nossos países”. Com esses argumentos a CGLU reivindicou um espaço para os governos locais nos debates sobre mudanças climáticas na ONU e foi concedida a uma comissão de prefeitos que participasse, não só na COP-15, a partir de agora nós temos um espaço nas negociações de todas as discussões sobre mudanças climáticas. Em princípio estão os municípios de Nantes na França, Dakar no Senegal, Durban na África do Sul, Manaus na Amazônia e serão ainda definidos os representantes da América do Norte e Ásia.

Envolverde - O trabalho das cidades dos governos locais não está em duplicidade com a força-tarefa montada pelos governadores?

Dutra - Não, porque o trabalho dos governadores se restringiu ao âmbito nacional sem ultrapassar as fronteiras. Eles trataram de uma maneira como se a Amazônia fosse nossa apenas. Essa visão que a gente precisa entender. A Amazônia nunca teve um destino e rumo, nunca foi vista como um bioma, porque nunca foi gestada como um bioma. Era sempre os 7 governadores da Amazônia ou 9 se considerarmos a Amazônia Legal, o resto da Amazônia deixa pra lá, como se conseguíssemos gerir a fumaça, a água, o fluxo gênico dentro da nossa fronteira política como se não houvesse essa extrapolação desse limite através da região toda.
As nossas nascentes estão lá fora e o poder de decisão também está lá fora. Quando o governo brasileiro quer fazer um fórum sobre a Amazônia o faz em Brasilia ou no Rio de Janeiro, não faz um fórum em Manaus. Eu nunca vi um fórum aqui, para que as pessoas que vivem aqui sejam ouvidas sobre o que pensam da Amazônia.
Então, o que os governadores fizeram tem a sua importância como governos subnacionais. Ocorre que na ONU nós estamos tentando discutir, argumentar, que você estaria numa outra esfera fictícia. O governo nacional, a União tem a soberania do país e o cidadão mora no município. O governo estadual é fictício, ele é um repassador. O movimento dos governadores também não provocou debates com os cidadãos, não provocou nenhum fórum. Dos fóruns que eu participei com o governo do estado eram com 50, 60 pessoas. Nós fizemos um com 1.200. É preciso ampliar o debate, enraizar na sociedade o que é esse debate.

Envolverde – Então diante desses argumentos, qual será o ponto principal que Manaus irá defender na COP-15?

Dutra - Antes de mais nada, nós temos que trazer para a sociedade resultados. Como é que funcionam os créditos de carbono hoje? Funcionam entre empresas, empresas que negociam que trocam entre si. Nós queremos inserir os governos locais nesse debate. Principalmente se tratando de REDD, já que as coisas serão mais voluntárias que no crédito de carbono. Precisamos que os projetos atinjam o poder público dos municípios que tenham o poder de decisão.
Um exemplo é a BR-319, o governo federal criou 7 unidades de conservação sem consulta pública a nenhum município. Consultou por meio de pesquisadores algumas comunidades, entendeu a socioeconomia de alguns povos e criou as unidades. E o governo local como é que fica? O plano diretor do município possa fazer na questão do uso do solo, o desenvolvimento planejado dessa cidade, a vocação natural desse município não é considerada, não é levada em conta.

Envolverde - O que se discute muito quando se fala da Amazônia, numa economia de baixo carbono, é a necessidade de se incluir o fator humano nessa conta, os mais de 20 milhões de pessoas que vivem na Amazônia.

Dutra - 40 milhões quando se discute o bioma todo no Brasil e nos outros países.

Envolverde - O que você imagina que a Amazônia poderá receber de recursos nos próximos dez anos, por exemplo, para que o cidadão amazônico possa ter uma qualidade de vida tão boa quanto a de um cidadão que viva em outras regiões?

Dutra - Manaus no meu entender, mesmo tendo a maior população, seria uma das menos beneficiadas com o REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação). Porque não seria justo fazer a divisão de um REDD populacionalmente. Você teria que fazer um REDD pelo significado do bioma. Eu imagino que o índice de adicionalidade responde tudo. Se nós conseguirmos auditar os resultados, nós vamos entender que não adianta só atuar dentro de unidades de conservação, pois essas unidades já possuem regras claras de uso. Nós temos que começar a trazer o projeto REDD para as comunidades ribeirinhas rurais externas às unidades de conservação, porque são as áreas que estão ameaçadas de início. Se você observar o arcabouço jurídico brasileiro, ele já trata de reserva legal, de APPs (Áreas de Proteção Permanente), encostas, vegetação especial, de mananciais e recursos hídricos. No entanto, o caboclo que mora lá no mato, que precisa sustentar sua família e que não tem acesso a tecnologia, ele desmata alguns hectares, planta a sua mandioca, o terreno fica ruim e ele não tem conhecimento e recurso para fazer a correção do solo. Aí, ele simplesmente avança mais dois ou três hectares e a reserva legal não é considerada, não é considerada a APP, não é considerada nada. Se nós desenvolvêssemos um programa, tivéssemos como acessar esse cidadão, valorar a terra dele em pé, valorar o conhecimento e a praticidade da reserva dele, da encosta e da vegetação dele, aí sim ele vai entender aquilo lá como um recurso financeiro anual...

Envolverde - Um pagamento por serviços ambientais.

Dutra - ...também podemos chamar de pagamento por serviços ambientais. Ele passaria a ver aquela floresta como algo rentável e aí ele teria também acesso a tecnologia para fazer no mesmo espaço o que ele faria num espaço muito maior.

Envolverde - Uma das maneiras de levar esses recursos ao cidadão é a presença do estado. Numa cidade como Manaus é mais fácil. Como fazer para que os serviços do estado cheguem aos moradores de áreas mais distantes.

Dutra – Sem dúvida, nós precisamos aparelhar melhor a Amazônia. Eu vou citar uma cidade que se chama Japurá que fica as margens do Rio Japurá. Esse é um rio pobre em peixe, é um rio belíssimo! A cidade ainda não tem parto cesariano. Então, as mulheres ainda morrem de parto. Lá não existe um centro cirúrgico. É o menor PIB das cidades amazônicas. Vive de que: de favores do narcotráfico, de fechar os olhos ao garimpo ilegal no Rio Puruê. Vive de uma terra indígena que não tem mais indígenas na frente e cobra para que os pescadores possam ir lá para pegar peixes na área indígena... Então está tudo na ilegalidade, falta o braço do governo em Japurá. Como falta o governo nas 5.500 comunidades que o Estado do Amazonas tem. Quase o mesmo número de municípios que o Brasil tem, o Amazonas tem em comunidades rurais. Se nós construíssemos um projeto de REDD vinculado aos governos locais você já começa a aparelhar o governo local. Aquele braço que está mais perto do cidadão. O município tem um orçamento apertado, mas graças a Deus temos combatido melhor a corrupção. Se nós conseguíssemos agregar valor a esse município, mais próximo do cidadão, você conseguiria melhorar o gerenciamento desses projetos.

Envolverde - Você quer dizer que a presença do estado nessas comunidades deve começar pelo município?

Dutra – Exatamente, pelo governo local.

Envolverde - Se hoje fosse o dia seguinte a COP-15 e os seus objetivos tivessem sido alcançados, o que você teria a dizer e a comemorar?

Dutra - Eu teria a dizer que nós conseguimos estabelecer o papel dos governos locais como aplicadores da divisão desses novos mecanismos que serão colocados. O MDL só será pleno se ele também agregar o patrimônio vegetal que este planeta tem, os serviços ambientais da Amazônia. Existem estudos fantásticos sobre os índices de reciclagem natural de água que a Amazônia provoca para o Aquífero Guarani, para a Colômbia, chegamos mesmo a regular o clima na África.
O melhor resultado seria: os serviços ambientais proporcionados pela Amazônia, patrimônio dos amazonidas a serviço da humanidade agregaria valor ao caboclo. Não adianta absolutamente nada nós gerirmos tudo isso se a qualidade de vida continuar em Dubai e não em Japurá, isso se nós não dividirmos um pouco o que é viver bem.
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fórum de Diálogos termina em clima de entendimento e noção de responsabilidades comuns em prol do planeta


Troca de experiências, conhecimento de realidades distintas e identificação de problemas comuns, deram a tônica que pautou os trabalhos do Fórum de Diálogos realizado neste último final de semana em Manaus. O evento foi realizado pela prefeitura de Manaus e pela agência de cooperação InWent, do Ministério para Cooperação e Desenvolvimento Econômico da Alemanha, entre os dias 19 e 21. O encontro reuniu especialistas em LCE LULUCF (mecanismo de redução de emissões de gases de efeito estufa que tem como principal ferramenta as mudanças de uso da terra e florestas), no Hotel Da Vinci, no Adrianópolis.
Os participantes, representando países emergentes com papel fundamental nas discussões sobre as mudanças climáticas (Brasil, China, Egito, Índia, Indonésia, México, Colômbia e África do Sul), foram unânimes em apontar a inclusão do mecanismo de REDD (Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação) nos futuros acordos que serão firmados na COP-15 em Copenhague, no próximo mês de dezembro.
Anfitrião do evento e entusiasta da REDD e do aumento do peso dos governos locais no cenário internacional, o Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Manaus, Marcelo Dutra destacou que esse intercâmbio é fantástico para a troca de conhecimentos entre países que dividem realidades geográficas como Brasil e Indonésia. Dutra ainda destacou que o trabalho que vem sendo desenvolvido pela Prefeitura de Manaus irá além da COP-15, pois tem como objetivo a inserção definitiva dos governos locais nas discussões sobre os destinos da Amazônia. Segundo Marcelo, “O protocolo de Kyoto não foi debatido, não chegou ao cidadão e a vida das pessoas, por isso a bandeira maior que Manaus defende é a presença dos governos locais em qualquer cenário em que seja debatida a Amazônia”. “Afinal”, concluiu, “é no âmbito das cidades que se aplicam as políticas públicas e as decisões de governo”. Dutra ressaltou o papel de destaque que Manaus deverá desempenhar em Copenhague, “nós estamos assumindo a responsabilidade de ser a maior cidade do bioma amazônico e por estar no centro desse bioma, também assumimos o papel de capital natural da Amazônia”.
Para Siti Nissa Mardiah, da Divisão de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente da Indonésia,um encontro como este de Manaus, contribui para uma comparação entre as diversas realidades dos países e para dar maior relevo e substância para a reivindicação da aplicação da REDD. Ela ressalta o grande desafio que se apresenta a partir de um evento como esse, “Nós agora precisamos demonstrar que seremos capazes de implementar a REDD em nossos países” .
O consultor da In Went, Michael Dutschke, contou que nos próximos dias será divulgado um resumo dos principais pontos discutidos e acordados no encontro, mas já adiantou que o evento superou as suas expectativas, “todos os presentes irão voltar para os seus países com mais conhecimentos e argumentos que servirão de base para a elaboração de propostas mais completas e realistas na COP-15 e que beneficiem os povos que vivem nessas regiões de grandes florestas”.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Fórum ressalta importância da regulamentação fundiária para implantação do REDD


O segundo dia de discussões do Fórum de Diálogos que reúne, em Manaus, especialistas em economia de baixo Carbono de vários países com a finalidade de discutir estratégias de uso do solo e das florestas com vistas à redução das emissões de gases de efeito estufa foi marcado pela preocupação com um aspecto fundamental dentro do processo de implementação de mecanismos de REDD que é o da regulamentação fundiária das áreas onde sejam implementados planos de manejo com vistas ã sustentabilidade da floresta. O alerta foi dado pelo procurador federal da Advocacia Geral da União (AGU), Carlos Alberto Barreto, que participa do evento, promovido pela Prefeitura de Manaus em parceria com a agência de cooperação InWent, do Governo da Alemanha. Segundo o procurador, que hoje se encontra cedido à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabiliade (Semmas), essa é uma situação que pode gerar problemas futuros para os Estados que implantaram projetos de manejo florestal.

O fórum, que acontece até amanhã (sábado, 21) no Hotel Da Vinci, conta com a participação de representantes de governos da China, África do Sul, Indonésia, Índia, Egito, México,Colombia, Brasil e Estados Unidos. O evento tem como objetivo dar andamento ao Programa da InWent que visa à realização de fóruns interancionais de diálogo sobre os temas Cidades Sustentáveis, Eficiência Energética e Uso de Terra e Floresta. A reunião que acontece em Manaus é a segunda realizada pela InWent – o primeiro fórum foi em Berlim – e tem como foco principal a questão do uso do solo e das florestas. O secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, de Manaus, Marcelo Dutra, que participou como convidado da InWent do primeiro forum em Berlim, explica que além da regularização fundiária, é preciso também se preocupar com a estruturação da atividade agrícola nas áreas de florestas.

O secretário lembra que o conceito de REDD só será aplicado em áreas com regularização fundiária, daí a necessidade de discussão sobre a definição de um marco regulatório nacional que contemple aspectos como esse e o da estruturação agrícola. “A falta de regularização vai criar um embróglio futuro e um balanco negativo para os investidores internacionais”, afirma o procurador federal Carlos Alberto. Ele cita o exemplo da Instrução Normativa 03, do Governo do Estado, que libera a retirada de árvores visando atender segmentos ditos sociais sem controle e monitoramento, o que foi contestado pela Procuradoria Federal do Ibama. Nos idos de 2006, lembra o procurador, alguns planos de manejos foram autorizados pelo Ipaam no entorno de terras indígenas sem que se pudesse diagnosticar as consequências.

“Numa eventual regulamentação e incorporação do REDD, esses aspectos poderão criar diversos embaraços para os investidores e para o próprio Governo. Essa é uma questão muito séria, várias tentativas ainda tímidas estão sendo tomadas, mas ainda é insuficinete”,explica Carlos Alberto, reafirmando que, sem regulamentação fundiária, o que ocorrerá é desmatamento injustificado, sob rótulo de auxilio judicial. O assessor de relações internacionais da Semmas, Luis Carlos Mestrinho, afirmou que a discussão a respeito de REDD pelo fórum da InWent é de suma importância, uma vez que a ferramenta será uma das principais pautas da COP 15, em Copenhague, junto com as metas de redução de emissões e os mecanismos de financiamento. O evento, que se encerra no sábado (21), tem como patrocinadores a Honda e Panasonic.
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